terça-feira, 16 de novembro de 2010

Três para o futuro


"É assim que seremos chamados em 2011"


"What you doing when the wait becomes too long 
What you doing, what you doing when your time runs out 
Do you know what you wanna become now"
(The Boys - "Taking on the World")

No 16º dia do corrente ano, estreávamos no sábado (claro!), contra o Macaé. Esperávamos que fosse difícil, já que a pré-temporada e o time não agradaram ninguém. E assim foi, como manda o script alvinegro: saímos na frente, tomamos uma virada e saímos com a vitória.

Dez meses se passaram. Agora, no próximo domingo, o Botafogo fará o seu 58º jogo no ano. Muita coisa aconteceu. O pavor após o início do Campeonato Carioca deu lugar ao título heróico. Não satisfeito, o pavor deu as suas caras novamente no Brasileiro até que, finalmente!, foi despachado para um certo clube graças às chegadas de Maicosuel e, principalmente, Marcelo Mattos.

Falando assim, parece até que foi fácil. Não foi. Foram muitos altos e baixos, mas que, por razões óbvias, vamos deixar os momentos desagradáveis para depois.

O ano foi longo, mas vamos ser sinceros: a maioria esperava que fosse pior. Bem pior. Mas isso não é motivo para contentamento, achar que acabou e ficar ligado apenas na desgraça dos outros - embora uma coisa não elimine a outra, ok? - ainda há algo para se pensar: a Libertadores.

É difícil conversar com os mais os novos ou lê-los falando sobre o mais importante campeonato do nosso continente. Para eles, a Libertadores é algo distante, como se o gol de calcanhar do Túlio no Maracanã tivesse sido feito na mesma época do "baila comigo" do Mendonça.

Parando para pensar, são 14 anos. O mais longo jejum dos clubes grandes, com exceção do Atlético Mineiro. Tal ausência, em uma época em que as rivalidades já transcendem os estados, é cara demais para ser paga pelos jovens torcedores.

O futebol é, hoje, a expressão máxima do patriotismo em uma época em que há pouco em que se identificar e, consequentemente, se orgulhar em relação a um país. Quando a seleção vai bem em uma Copa do Mundo, é o Brasil que é superior ao resto do mundo. Pare e reflita como até a propaganda - de maneira preconceituosa, é bom frisar - explorou esse sentimento em relação à Argentina há alguns meses atrás.

Agora, vocês imaginem, então, a parte local (o clube), que é onde temos as nossas raízes e histórias mais profundas, chegando e conquistando o continente? É isso que construiu a supremacia e o espírito vencedor do Boca Juniors. Eles chegaram e venceram o Brasil. E é esse caminho que segue o Internacional.

É hora de pensar no futuro, nessa nova geração que não pode crescer sem ver jogos do Botafogo contra os grandes do continente. Nós não podemos nos dar ao luxo de mais uma década fora da batalha que importa. Por mais que a cavadinha do Loco tenha sido sensacional e salvadora, os próximos gols deles serão os mais importantes da nossa história desde o "gol peixe".

Para salvar o século, o Botafogo tem que voltar à Libertadores antes que seja tarde demais. E vamos, não é, gente?


Thiago Pinheiro escreverá aqui ocasionalmente textos iguais a esse falando sobre a relação torcedor-clube e, também sobre política e finanças do Botafogo. É sócio-proprietário e lançou o livro "Botafogo - Muito Mais que um Clube".



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