O clássico diante o Vasco foi um desastre. O Botafogo começou melhor, dominou os 15 primeiros minutos de partida, criou chances e não marcou por pouco. Criou graças ao meio campo que funcionava: Elkesson e Maicosuel buscavam jogo, Lucas colocava o Herrera para jogar em cima do fraco Jumar, mas o alvinegro pecava no último passe. Esses 15 minutos foram os únicos jogados pelo time da Estrela Solitária.
Mesmo enquanto jogava bem, o Vasco já dava indicativos que o caminho seria nos contra-ataques, o Botafogo exposto dava campo, principalmente pelo lado direito do ataque, nas costas de Cortês. Esse, mesmo enquanto o Botafogo jogava melhor, não tinha desculpas, já que não se lançava ao ataque. Depois que tomou o primeiro gol o Botafogo voltou a ser o Botafogo do resto do campeonato, já explico.
O Botafogo joga em um esquema, “clássico”, mas que em campo tenta incorporar um futebol moderno, segundo Caio Jr. No papel, se identifica com a equipe do Corinthians do ano passado. Um atacante fixo e centralizado, função cumprida por Loco Abreu; dois pontas, Maicosuel pela esquerda e Herrera pela direita; e um meio campo que deveria atuar centralizado, Elkesson. Na cabeça e na prática de Caio Jr, com dois bons volantes, que de fato são, os meias não deveriam buscar jogo: errado. Funcionou boa parte do campeonato exatamente por ter dois bons volantes, com precisão no passe e com condições de criação, mas nem de longe é um esquema ideal. Um bom exemplo disso é que raramente ao longo do campeonato vimos um meio-campo jogar de frente, buscar a bola antes do meio do campo. Exceção foram os jogos em que Felipe Menezes atuou. Longe de o querer no time titular.
Além disso, nesse esquema, esses dois alas deveriam ser verdadeiros atletas, Dentinho e Jorge Henrique no Corinthians, o que na prática do Botafogo nunca aconteceu. Não só para reforçar na marcação, como para sair de trás com a bola. Os dois pontas fixos e avançados só facilitam a marcação: recebem de costas e com um espaço bastante reduzido de jogo, já que para um dos lados o campo tem fim. Falei “verdadeiros” atletas, pois, sinceramente, enxergo uma visível falta de preparo físico para essa equipe. Maicosuel não corre mais do que a maior parte dos meias do Brasil e se cansa aos 10 da segunda etapa, nas partidas que ao menos tenta voltar para marcar se cansa mais rápido ainda.
A partida de hoje só não foi pior pelo acaso, o Vasco jogou muito mal, o Botafogo mais uma vez demonstrou a sua ineficiência, tinha a posse de bola e não criava nenhuma chance de gol. Isso não é novidade, contra o Figueirense foi assim, contra o Cruzeiro, entre outros. Na realidade, desde o primeiro tempo contra o São Paulo a equipe não demonstra nenhum poder efetivo de criação de jogadas. Deu certo na reta final do 1º turno, mas os adversários aprenderam a marcar e os “meias-pontas” não estão inspirados. Em fase boa ou ruim a equipe não pode apresentar um futebol sequer aguerrido, ineficiente, sem poder algum de reação como foi a partida de hoje.
Por último vale lembrar que é a segunda derrota do Botafogo que o Caio Jr morre com uma substituição por fazer. Era evidente para qualquer espectador do clássico que a questão alvinegra girava em torno da ineficiência para a criação. No entanto, o meio-campo permaneceu intocável pelo treinador. Sequer ousado foi, quando, já perdendo por 2 a 0, tirou Herrera para colocar Caio, 6 por meia-dúzia. Quem quer ser campeão necessita, ao menos de ousadia e determinação. Quando falta técnica, a noite não está boa, os dois elementos podem ao menos garantir o ingresso comprado pelos torcedores...
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