domingo, 13 de novembro de 2011

O nó tático em si mesmo

O clássico diante o Vasco foi um desastre. O Botafogo começou melhor, dominou os 15 primeiros minutos de partida, criou chances e não marcou por pouco. Criou graças ao meio campo que funcionava: Elkesson e Maicosuel buscavam jogo, Lucas colocava o Herrera para jogar em cima do fraco Jumar, mas o alvinegro pecava no último passe. Esses 15 minutos foram os únicos jogados pelo time da Estrela Solitária.

Mesmo enquanto jogava bem, o Vasco já dava indicativos que o caminho seria nos contra-ataques, o Botafogo exposto dava campo, principalmente pelo lado direito do ataque, nas costas de Cortês. Esse, mesmo enquanto o Botafogo jogava melhor, não tinha desculpas, já que não se lançava ao ataque. Depois que tomou o primeiro gol o Botafogo voltou a ser o Botafogo do resto do campeonato, já explico.

O Botafogo joga em um esquema, “clássico”, mas que em campo tenta incorporar um futebol moderno, segundo Caio Jr. No papel, se identifica com a equipe do Corinthians do ano passado. Um atacante fixo e centralizado, função cumprida por Loco Abreu; dois pontas, Maicosuel pela esquerda e Herrera pela direita; e um meio campo que deveria atuar centralizado, Elkesson. Na cabeça e na prática de Caio Jr, com dois bons volantes, que de fato são, os meias não deveriam buscar jogo: errado. Funcionou boa parte do campeonato exatamente por ter dois bons volantes, com precisão no passe e com condições de criação, mas nem de longe é um esquema ideal. Um bom exemplo disso é que raramente ao longo do campeonato vimos um meio-campo jogar de frente, buscar a bola antes do meio do campo. Exceção foram os jogos em que Felipe Menezes atuou. Longe de o querer no time titular.

Além disso, nesse esquema, esses dois alas deveriam ser verdadeiros atletas, Dentinho e Jorge Henrique no Corinthians, o que na prática do Botafogo nunca aconteceu. Não só para reforçar na marcação, como para sair de trás com a bola. Os dois pontas fixos e avançados só facilitam a marcação: recebem de costas e com um espaço bastante reduzido de jogo, já que para um dos lados o campo tem fim. Falei “verdadeiros” atletas, pois, sinceramente, enxergo uma visível falta de preparo físico para essa equipe. Maicosuel não corre mais do que a maior parte dos meias do Brasil e se cansa aos 10 da segunda etapa, nas partidas que ao menos tenta voltar para marcar se cansa mais rápido ainda.

Outra conseqüência de tal padrão tático ficou mais do que visível no jogo de hoje. Com os meias abertos - Elkesson sempre se lança para um dos lados, também tumultuando mais ainda o curto espaço – os volantes e os zagueiros se lançam a sair para o jogo. Em uma dessas saídas de bola com erro de passe de Fábio Ferreira, Éder Luis se lançou as suas costas e fez a jogada do primeiro gol. Outra crítica ao esquema adotado por Caio Jr é o fato de o Botafogo ter dois bons laterais ofensivos - Cortês passa por uma fase péssima, mas é bom. Lucas, depois do Jefferson, foi o melhor em campo pelo Botafogo hoje, já havia sido contra o Figueirense, de seus pés saíram as melhores oportunidades – e a subida deles ou está mal treinada com esses dois pontas, ou é por si só confusa, com dois jogadores para jogar no mesmo espaço do campo.

A partida de hoje só não foi pior pelo acaso, o Vasco jogou muito mal, o Botafogo mais uma vez demonstrou a sua ineficiência, tinha a posse de bola e não criava nenhuma chance de gol. Isso não é novidade, contra o Figueirense foi assim, contra o Cruzeiro, entre outros. Na realidade, desde o primeiro tempo contra o São Paulo a equipe não demonstra nenhum poder efetivo de criação de jogadas. Deu certo na reta final do 1º turno, mas os adversários aprenderam a marcar e os “meias-pontas” não estão inspirados. Em fase boa ou ruim a equipe não pode apresentar um futebol sequer aguerrido, ineficiente, sem poder algum de reação como foi a partida de hoje.

Por último vale lembrar que é a segunda derrota do Botafogo que o Caio Jr morre com uma substituição por fazer. Era evidente para qualquer espectador do clássico que a questão alvinegra girava em torno da ineficiência para a criação. No entanto, o meio-campo permaneceu intocável pelo treinador. Sequer ousado foi, quando, já perdendo por 2 a 0, tirou Herrera para colocar Caio, 6 por meia-dúzia. Quem quer ser campeão necessita, ao menos de ousadia e determinação. Quando falta técnica, a noite não está boa, os dois elementos podem ao menos garantir o ingresso comprado pelos torcedores...


Nenhum comentário:

Postar um comentário